sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dica do Teto


Little Miss Sunshine





E na viagem rumo ao concurso de pequenas misses emoções afloram!

E nela, o adolescente (Paulo Dano) aficionado a Nietzsche e sob voto de silêncio; o tio suicida e homossexual (Steve Carrel); o avô viciado em heroína (Alan Arkin); a mãe e dona-de-casa insatisfeita (Toni Collette), que, de maneira muito evidente, tenta se realizar na filha; o pai (Greg Kinnear), autor de um programa fracassado de auto-ajuda que, na verdade, tenta (o tempo todo e com fracasso) se auto-ajudar. E a pequena Olive (Abigail Breslin).

O roteiro de Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine, EUA, 2006) com direção de Jonathan Dayton e Valerie Farris é simples, direto, sem delongas. E talvez por isso, atinja certa objetividade lírica presente nas conversas carregadas de sarcasmo e crua sinceridade. E no silêncio.

A fotografia acompanha o texto, é limpa, cotidiana, retrata o comum de uma família um tanto incomum com seus sonhos, planos, supostas certezas (tantas dúvidas!), medos (é comovente a cena em que Olive chora para o avô seus temores!), desejos, frustrações e a vontade de ir além. Então pegam a Kombi amarela e a estrada para a Califórnia! 




E descobrimos que não é somente a menina que busca um título, que deseja com toda a alma ser premiada. Pai, mãe, avô, irmão e tio se inscrevem no concurso_ antes mesmo de Olive. E seu prêmio (antes que soubessem) já havia sido entregue: era a própria estrada! Do ponto de partida ao ponto de chegada. 


Roberta Nogueira




Filme: 

Little Miss Sunshine (EUA, 2006, 101 min)

Gênero: Comédia Dramática

Diretor: Jonathan Dayton, Valerie Faris

Produção: Albert Berger, David T. Friendly, Peter Saraf, Marc Turtletaub, Ron Yerxa

Roteiro: Michael Arndt

Fotografia: Tim Suhrstedt


Fonte: Noticiarama.blogspot.com

Link: http://noticiarama.blogspot.com.br/2010/12/coluna_27.html#more



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sem caminhos...





Escadaria da Igreja Do Bom Jesus do Matosinhos_Congonhas, MG. Patrimônio Histórico da Humanidade.



... passos, sem palavras... sem história. Um brasileiro esperando talvez que alguém o escreva nas lentes de uma câmera fotográfica. (Moedas em troca no chapéu!) Sorriso no foco, silêncio no disparo do obturador. Aos pés dos Profetas.


Fim de tarde nos arredores da Basílica do Bom Jesus do Matosinhos, os últimos turistas cansados (“A verdadeira crise seria economizar!”)despedem-se das compras do dia seguinte. Ele tenta o chapéu sem sucesso, o grupo já se foi. Ele sorri quando me aproximo.

Há uma cadência de movimentos nas disformes formas. E há ternura! Quem sabe aquela que move a alma brasileira na dança do dia-a-dia, na marcha exata e precisa, na busca insistente pelos “sins” que custam a vir. (Quando vem.)

Mas há espera... A Cidade dos Profetas não quer dormir (é tão cedo!) e nem ele. A pose é certa no preto-e-branco a ser revelado. Com ela o sorriso se esvai em uma mágica que é só dele, não pode ser tomada. Sorriso que, curiosamente, volta quando recolho o equipamento à segurança do estojo preto.

O sino da igreja toca acordando o meu transe. Também acordo. Sorrio, agradeço e parto, levando-o a tiracolo.


Foto e texto: Roberta Nogueira



Fonte: Noticiarama.blospot.com.br

 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Teto em Conto


AQUELA BOLSA!



                                                                                                 Por Dorothy Coutinho


Costumo caminhar nas manhãs ensolaradas contra o vento gelado de outono no calçadão da cidade.

Numa dessas manhãs mudei de rumo e fui andar na calçada da rua onde estão localizadas as butiques de marcas famosas. O cartaz “40% de desconto” – no interior da loja me chamou a atenção e, naquele esquema “só estou dando uma olhada” fui curiosamente entrando.

Lá dentro, próximo a um dos balcões, uma mulher se apossa efusivamente de uma bolsa como se tivesse encontrado o Santo Graal, tamanho o seu afã. Não é linda?? – Disse ela à filha. Agarrada à bolsa frente ao espelho, ela virava de um lado, de outro, de meio, de frente, extasiada com a própria imagem carregando aquela bolsa caríssima, de couro azul-celeste com umas 256 tachas pretas e 50 franjas. Eu já vi bolsa feia nesta vida de Jesus Cristo, mas como aquela, nem nos meus piores pesadelos.

Mas a criatura ficou apaixonada pelo raio da bolsa e mostrava a etiqueta com o preço para a filha e dizia – “e nem é tão cara!”. Preço na etiqueta: 430 reais.

Nem é tão cara??? A loja deveria estender um tapete vermelho e chamar banda de música para quem levasse aquele troço por três reais.

E a mulher voltava ao espelho, experimentava a bolsa, levo ou não levo? 

E eu lá no cantinho vendo as “promoções”, tive vontade de cutucar o ombro dela e dizer pelamordedeus não faça essa loucura, olhe em volta, tem bolsa muito mais bonita, com mais classe, mais usável e de preço mais baixo. Deixe essa coisa medonha prá lá. Ficou na minha vontade, é claro. Não me meti e sai rapidinho da loja antes de ver a tragédia consumada. 

Mau gosto, bom gosto. No politicamente correto cada um tem o seu e fim de papo. Mas acho que não é bem assim. Existe um diferencial, o que não impede que pessoas de bom gosto errem e pessoas de mau gosto acertem – de vez em quando!

Tem quem defenda o pressuposto de que o bom gosto se aprende, já que uma pessoa só começa a gostar do que é bom quando adquire bagagem cultural ou quando tem a humildade para observar pessoas e lugares sofisticados extraindo daí a informação necessária para compor o seu próprio bom gosto. Bom gosto e mau gosto custam a mesma coisa, aliás, o mau gosto às vezes custa até mais caro. 

As interpretações variam. Eu não troco uma charmosa bolsa de palha por uma de grande grife. Não duvido que menos é mais. Sempre caprichei ao me vestir sem me deixar monitorar por grifes, ao manter minhas unhas limpas, na mania dos abajures em vez de luz direta, nas minhas atitudes profissionais e até na bagunça doméstica, que uma baguncinha também tem seu charme. Aprendi a valorizar o estilo “não sou rica, sou chique” e o saldo foi positivo com uma pequena porcentagem de deslizes todos aceitáveis. É só treinar o olhar para as coisas mais simples. E desviar de outras. Como aquela bolsa!!!!!!! Aquela bolsa!





sábado, 24 de novembro de 2012

O Teto - Livros

Mesa 27



“No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama
Foi alguém que me disse
que você ainda me ama
Seria isto possível então?”

Carla Bruni  - “Quel qu’um m’a dit”



De costas para o vento, janelas e portas abertas... junto à mesa 27. O Amor (quem sabe?!) começando a acontecer, balançando sorrateiramente as cortinas que envolvem a Alma, fazendo-as brincar... para lá e para cá... E nessa dança esvoaçante vão elas_ a convocar a Paixão, fazendo um convite ao Desejo e vendo a festa, o banquete ser posto à Mesa.

Adriana Nicolodi é quem assina o cardápio e com maestria nos serve e nos brinda com a doçura de Nina, o jeito infantil de Clara, a irreverência de Shelly, o misticismo de Olívia ( e o que falar de Allegra?) em uma trama tocante e inesquecível.

"Dá vontade de conhecer essas pessoas... Como eu queria adicioná-las nas redes sociais!", diz Joana ao meu lado inconformada (já tão órfã quanto eu), folheando as poucas páginas que restam. E assim nos despedimos eu e ela das últimas palavras.

Mesa 27 é história para ser degustada a quatro mãos, saboreada e sentida com a Alma_ na melodia do vento e de janelas que se abrem.


Roberta Nogueira

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pensei...


em cata-ventos e em como eles (re)distribuem o ventinho fresco muitas vezes pedido


e até por quem não me pediu.
Cata-vento que mais parece doce em palito
para a vontade fazer girar...
feito coisa desajeitada,
feito vento-criança,
vento-saudade...
no peito a girar.

            
                         Foto do arquivo pessoal de Patrícia Yamada


Roberta Nogueira

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Teto e...



                   

"Às vezes você pensa que talvez sejamos parte de uma grande brincadeira?"

                                                        Harriet (Emily Blunt) para Fred ( Ewan McGregor)






E de um sonho... com salmões (?) em meio ao ambiente inóspito do Iêmen.
Um homem com um casamento infeliz (McGregor), uma jovem mulher cheia de sonhos (Emily Blunt) e um xeique ( Amr Waked), que parece enxergar muito além...
A tônica de Amor Impossível (Reino Unido-2011) gira em torno da ideia de que podemos tudo aquilo que desejarmos _ ter ou ser. E que o "supostamente" impossível, muitas vezes, está bem ao lado, pronto para ser conquistado, basta que acreditemos.... 
Talvez mais um clichê... que nos faz muito bem, obrigada! 

Roberta Nogueira



Amor impossível
(Reino Unido - 2011)
Direção: Lasse Hallström (de Querido John, 2010 e Sempre ao seu lado, 2009, entre outros)
Roteiro: Simon Beaufoy (do premiado Quem quer ser um milionário de 2009)

                                             Em um cinema perto de você!